PR18. Levada do Rei









★★★★  | Quebradas - Ribeiro Bonito e voltar.

Nível: fácil  | 3:30h + 1:15h | 5,1km + 5,1km.


Uma visita à Madeira não fica completa sem fazer pelo menos uma levada. E a Levada do Rei é um espectáculo, e só por isso merece a sua visita. Um percurso bonito, fácil de fazer, relativamente curto e que condensa no seu espaço quase tudo o que a floresta Laurissilva tem de bom para oferecer.

Contudo, antes de se por a caminho de São Jorge, em Santana, verifique que este percurso encontra-se aberto e em boas condições neste momento. Consulte o site do Turismo da Madeira clicando aqui e saiba se esta é a altura ideal para um passeio. Siga as regras de conduta e segurança, prepare-se convenientemente, verifique ainda as condições meteorológicas e divirta-se. Seja bem-vindo à Levada do Rei.

Mapa da Levada do Rei:




O moinho.

Antes mesmo de se fazer à levada, passe pelo tradicional moinho a água localizado mais abaixo do início desta. Quer vá a pé ou de carro, a distância entre os dois é pouca. Com mais de 300 anos e com um restauro recente, neste moinho vai poder conhecer a moleira Dona Ana Rosa.

Na vivacidade dos seus 80 anos e junto com o seu marido Lino Albino Mendonça, encontrará uma genuína e entusiasmada recepção. Se for português irá ser bombardeado com perguntas sobre a sua proveniência e sobre as lides do campo. Se não, será guiado pela mão a ver o que de especial tem este moinho e os seus segredos antigos.

Dê preferência a uma visita matinal e durante os dias úteis porque é quando o moinho está aberto. A Dona Ana Rosa costuma moer trigo, centeio, cevada e milho sob encomenda e muito do bom e tradicional Pão de Santana deve ter origem na farinha moída pelas pedras desta casa.

Esta senhora deixou-nos ainda um pequeno doce em forma de quadra: "Este trigo é meu primo / o centeio meu parente / não se faz festa nenhuma / (em) que este meu primo não entre." Este é o último moinho deste tipo na Madeira já que utiliza as águas da Levada do Rei como se fazia há muitos anos atrás e sempre de forma tradicional. Tome 15 minutos do seu tempo e visite este monumento regional.


Visite o moinho a água com 300 anos antes de fazer a Levada do Rei e conheça a senhora Ana Rosa Mendonça, a moleira de serviço. Comece na ETAR de São Jorge, siga sempre o canal de água e prepare-se para entrar em plena Laurissilva.



A Levada do Rei.

Depois de visitado o moinho, continue pelo caminho principal até chegar à zona da levada nas Quebradas. Percorra uma pequena entrada de terra batida até à ETAR de São Jorge. Após esta, procure pela placa que indica o início do caminho, suba uns degraus e dê início à Levada do Rei propriamente dita.

Tal como acontece com a maioria das levadas na Madeira, o percurso desta caminhada é plano na sua quase totalidade. Na primeira parte irá encontrar quase só floresta exótica entre pinheiros e acácias e algumas outras flores entre as quais as Coroas de Henrique. Siga sempre a levada, até sentir a vegetação começar a mudar e transformar-se rapidamente na floresta indígena da Laurissilva, Património Mundial Natural da Unesco, consagrada desde 1999.

Continuando o caminho poderá observar do outro lado as montanhas cultivadas de São Jorge e Santana e mais à frente a mudança para o verde, um verde absoluto, natural. Verde este que tanto de um lado como doutro, significam Loureiros (Laurus azorica), Tis (Ocotea foetens) e Vinháticos (Persea indica), mais os fetos, musgos e outras plantas mais. Tornando ainda este caminho de rei digno de tal nome, há também um minúsculo "furado", que é a palavra madeirense para túnel, e ainda uma queda de água a que nem os mais rígidos viajantes resistem a um sorriso perante a sua passagem.



De um lado a levada. Do outro, as montanhas. Os varandins presentes ao longo de todo o passeio permitem-lhe desfrutar da paisagem e de tudo o que o rodeia com muita segurança. Incluindo um pequeno túnel que até dispensa o uso da lanterna.



A água está sempre presente, e parece vir de todos os lados. Os pequenos ribeiros que se vão cruzando com os seus passos vão intercalando-se com partes onde o percurso é mais largo e a vegetação mais densa. Muitas vezes são as árvores que absorvem por completo os raios de sol que dificilmente chegam até aos traços da levada.

Continue sempre a seguir o curso de água que vem em contra-mão, até porque não tem alternativa, e aprecie a presença de pequenos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis) e o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), de borboletas e outros bichos. Em menos de nada está junto ao Ribeiro Bonito. E talvez "bonito" seja um adjectivo pouco ambicioso para o que julgo ser uma verdadeira catedral dedicada à Mãe Natureza. Apesar destas, não há palavras que sirvam para descrever tamanha beleza.



O elemento água presente em todo o lado. Siga até ao fim e procure pelos riachos com peixes de pequeno porte. Levante a cabeça, sorria, inspire e inspire-se.



Saberá que chegou ao final. Escape ainda ao percurso normal, e se puder, desça até ao ribeiro. Repouse um pouco junto às pedras da ribeira ou então, após o término da levada, suba mais alguns metros por entre as árvores (à direita do percurso principal) e descubra outros recantos interessantes.

Tire um bom tempo para absorver o ambiente que o envolve, respire fundo e liberte algumas toxinas do seu corpo. Depois, é tempo de voltar atrás. Se for adepto de fazer as coisas com calma, a ida levar-lhe-á cerca de 3h a 3:30h, enquanto que para voltar necessitará apenas de cerca de 1:15h a 1:30h. Descanse, retempere forças e divirta-se, de preferência com uma boa companhia.



A caminhada até ao Ribeiro Bonito aproxima-se do fim. Encontre o ponto onde parte do ribeiro transforma-se em Levada do Rei e sinta os elementos naturais na sua forma mais pura.



Porque ir: 

A parte inicial não é muito interessante mas à medida que se vai entrando na floresta indígena a experiência vai melhorando até culminar no Ribeiro Bonito, uma zona de beleza imaculada. Este é um percurso que não é nem muito curto nem muito longo, é sempre plano e serve como referência do que são as Levadas da Madeira, quer para quem tem pouco tempo disponível, quer para quem pretenda visitar apenas uns poucos percursos recomendados.


Como chegar:

Saindo do Funchal, vá em direcção a Santana pelo lado de Machico. Siga pela Via Expresso até ao fim e na rotunda de Santana (perto da estação da BP e do supermercado Sá) tome a direcção de São Jorge. Aqui está na estrada regional (ER101). Siga até encontrar uma placa que indica o moinho de água. Agora suba e siga as placas. Após este moinho, que deve visitar, é só percorrer um pouco mais de estrada até chegar à Levada do Rei.


O que levar:

A meteorologia e as condições dos percursos na Madeira variam muito pelo que é aconselhável levar um casaco, uma protecção contra a água ou chuva, calçado confortável e anti-derrapante, líquidos e alguma comida. Evite o excesso de peso mas não se esqueça da máquina fotográfica. Se possível leve um telemóvel consigo. Neste percurso não será necessário o uso de um bordão nem de lanterna.


Considerações finais:

O percurso encontra-se bem cuidado na sua totalidade e protegido por varandas nas partes mais estreitas. Caminha-se sempre por um percurso plano mas é necessário atenção na zona da queda de água e um cuidado especial para quem tem vertigens. O clima pode sofrer alterações rápidas e constantes.



Bem-vindo ao ano de 1419. Viva a Madeira como ela era há mais de 500 anos e desfrute deste pedaço de paraíso à sua espera. Perceba porque o Ribeiro Bonito faz mais que jus ao nome e aproveite para meditar e entrar em harmonia consigo e com o mundo.


Porquê ★★★★ ?

A beleza do Ribeiro Bonito encontra-se sobretudo na sua luxuriante vegetação indígena e na interessante parte final. É um percurso com uma distância ideal para quem procura uma experiência intensa mas não desgastante. Está bem cuidado, limpo e está muito bem dotado em termos de segurança do viajante. Não leva as cinco estrelas por causa da sua parte inicial e porque há lugares que apresentam uma maior diversidade de atractivos.


Texto, fotografias e grafismo: Victor Sousa.

As informações contidas neste artigo não são vinculativas e servem apenas como referência informal, não podendo serem apontadas como objecto de responsabilização. Toda a informação não pode ser reproduzida sem autorização do autor. Actualização a 16 de Julho de 2011.

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