PR9. Levada do Caldeirão Verde




 | Queimadas - Caldeirão Verde - Caldeirão do Inferno e voltar.

Nível: moderado | 5:00h + 2:00h | 6,5km + 6,5km + a distância ao Caldeirão do Inferno



A levada do Caldeirão Verde é um dos percursos pedestres mais conhecidos na Madeira. A sua beleza é surpreendente e quem faz este caminho jamais esquece a experiência. As montanhas são imponentes e cheias de abismos intocados, os túneis escavados à mão, as quedas de água são presença constante e os cenários de cortar a respiração.

Este percurso leva-o directamente ao centro da Laurissilva, a floresta indígena da Madeira, classificada como Património Mundial Natural da UNESCO. Para uma visita até à lagoa do Caldeirão Verde é necessário caminhar cerca de cinco horas e meia (ida e volta) e, se optar por ir também até ao Caldeirão do Inferno, aumente em cerca de duas horas e meia o tempo necessário.

Bem vindo ao que de melhor a Madeira tem para oferecer! Inspire fundo, faça uns alongamentos e lance-se ao caminho.



As Queimadas.

O início do percurso para o Caldeirão Verde faz-se na zona do Parque Florestal das Queimadas. Aqui encontrará duas casas revestidas a colmo à moda de Santana. A maior é uma casa de abrigo. Encontrará também um jardim com espécies indígenas e endémicas da Madeira e um lago com trutas e patos.

Se vier de carro não deverá ter dificuldade em estacionar, mas por vezes o parque torna-se pequeno para o número de visitantes. Neste caso deverá seguir mais alguns metros de estrada e deixar o carro mais acima. Para saber o percurso exacto até às Queimadas, siga até ao final deste texto.

A caminhada é longa, por isso aproveite a área de merendas para comer algo ou então ir à casa de banho. É aqui que começa e acaba este percurso (PR9). Significa isto que, chegando ao Caldeirão Verde ou ao do Inferno, terá de voltar para trás e percorrer de novo todo o percurso. Não há outro caminho mais rápido.

Como alternativa poderá usar a zona das Queimadas para passar o dia com os seus amigos, aproveitando as infra-estruturas existentes tais como as mesas, a churrasqueira ou um terreno plano onde pode montar uma tenda. Complemente o seu dia com um passeio ao Pico das Pedras (cerca de uma hora) ou até ao Caldeirão Verde (cerca de 5 horas).



Uma caminhada por entre o verde absoluto.

Iniciar a direcção que leva ao Caldeirão Verde e ao Caldeirão do Inferno é muito fácil. Basta seguir a placa indicativa. Há apenas um caminho de terra batida bastante largo e é por aí que deve seguir. Tenha sempre a levada, ou seja o percurso de água, à sua esquerda e parta à aventura.

A levada encontra-se bem protegida em toda a sua extensão e não terá dificuldades em fazê-la. Se houver  algum entrave a isto será apenas a ocorrência de chuvas fortes ou a extensão do percurso, mas isso não será um problema para a grande maioria das pessoas já que este é plano na sua quase totalidade.

A floresta indígena da Madeira muitas vezes é chamada de a "Amazónia portuguesa". A comparação às vezes é exagerada e enganadora mas há um fundo de verdade nisto. As espécies animais e vegetais existentes são em número muito inferior mas há muito que é equiparável. As extensões montanhosas, os ribeiros intocados, plantas em todo o lado, a presença constante de quedas de água, pequenos lagos e recantos de paraíso justificam a lembrança.

Os cenários são sempre exuberantes e constantes em qualquer parte do ano. As árvores nativas que os compõem têm sempre folhagem perene e as temperaturas são amenas. Aqui, terá um contacto directo com a Reserva Natural Integral da ilha da Madeira.


Os furados.

Os túneis existentes na ilha da Madeira são um retrato da necessidade que o homem tem de cruzar caminhos.

Após caminhar por um pouco mais de uma hora, e de passar por um primeiro pequeno túnel encontrará um segundo bem maior e de traçado recto. Faz parte do percurso. Ligue a sua lanterna e atravesse-o. Tenha cuidado com a água que há  no chão e mantenha os olhos sempre atentos... no tecto, para que não bata com a cabeça nas rochas. Em questão de minutos estará do outro lado. Não se assuste.

Antes mesmo deste túnel irá reparar numa placa que indica um outro percurso recomendado: a Vereda da Ilha (PR1.1) e que tem origem no sítio com o mesmo nome. A "Ilha" fica geograficamente colocada entre São Jorge e as Queimadas. Neste caso, fica a informação, mas como o seu objectivo são os caldeirões, ignore por hoje este percurso.

Até à lagoa do Caldeirão Verde existem mais dois túneis por onde terá de passar. Não se esqueça mesmo de levar uma lanterna ou fonte de luz. Dar-lhe-á muito jeito.



O Caldeirão Verde.

Após cerca de duas horas e meia de caminhada, encontrará o leito de uma ribeira e uma placa final a indicar o Caldeirão Verde. Comece a subir o pequeno trilho com cerca de 100 metros de extensão. Note a árvore que pousa sobre uma grande pedra à sua esquerda e que lembra um grande bonsai. 

Continue até encontrar uma enorme cascata e estará dentro do Caldeirão Verde. Olhe para cima e entenderá o porquê do nome. Respire fundo e deixe-se os seus pensamentos fluirem.



Um trabalho de amor. E uma luta pela sobrevivência.

A grande maioria das levadas da ilha foram construídas há mais de 150 anos e com poucos recursos tecnológicos. Os homens que lá trabalharam tiveram de passar meses nestes sítios, sempre com o abismo como companhia. As condições de trabalho, de vida e de conforto não eram certamente as de hoje.

Munidos de poucos instrumentos e de alguns burros de carga, conseguiram agarrar a água desde as suas nascentes e levá-la até às orlas da ilha. Isso significou aventurar-se e sacrificar-se pela floresta adentro e desafiar as montanhas de picareta em punho. Quem pagou o maior preço foi certamente os corpos destes pioneiros. Já pensou sobre isto?



Ir até ao Inferno e voltar.

Após a sua paragem no Caldeirão Verde é tempo de ir até ao Caldeirão do Inferno. Se estiver ainda junto à  lagoa (cascata), desça até à zona de desvio onde começa o canal de água (a levada propriamente dita) e procure a placa indicativa.

A partir daí continue a caminhar sempre com a levada pela sua esquerda. Após algum tempo irá encontrar uns degraus situados junto a uma cascata quase seca. Isso não é o Caldeirão do Inferno. Contorne-a por baixo e siga o percurso normal até encontrar à sua esquerda umas escadas que sobem. Tome-as e não siga pelo caminho plano da levada pois este não tem saída. Não se preocupe pois estas estão cuidadas e com protegidas.

Subir estas escadas é um pouco cansativo mas é a zona de maior esforço em todo o percurso. Já chegou até aqui e não faz sentido voltar para trás. Suba até encontrar uma zona com três túneis.

O da esquerda vai dar ao início de uma levada. Se quiser pode percorrer o pequeno túnel e verificar. O do meio é muito longo e deverá ser ignorado. Escolha o da direita, onde há uma espécie de poço com água e percorra esta nova levada sempre com a água pela sua esquerda. Passe pelos diversos túneis até encontrar uma zona de maior movimento de água. Não se assuste com o barulho e a confusão.

Se encontrou um cenário com duas cascatas de água independentes, uma ponte metálica e um desfiladeiro saído de um filme de fantasia, chegou ao Caldeirão do Inferno!



Caso se pergunte, sim, está em Portugal. Está na Madeira e tudo isto existe. Respire fundo, recarregue as suas energias. Agradeça aos seus deuses por esta experiência. Agora é tempo de voltar. Não deverá ter problemas em saber o caminho de volta pois não há muitas alternativas. Boa viagem e uma boa aventura!



Mapa da Levada do Caldeirão Verde:

Caldeirão Verde Queimadas Map Mapas do Inferno Madeira Santana Trilhos Caminhadas



Porque ir:

Porque deve! Porque estar na Madeira e não fazer uma levada ou um percurso pedestre é não poder dizer conhecer a ilha. Estes percursos são, no meu ponto de vista, o que de melhor há para ver e fazer por cá. Portanto, se está de visita, tire um dia e vá até ao Caldeirão Verde. Este percurso é sem dúvida um dos melhores. Se tiver tempo vá até ao Caldeirão do Inferno. Se não gostar deste percurso pedestre não valerá a pena fazer outros pois certamente o seu coração não está ainda preparado para este tipo de experiências.


Como chegar:

Se estiver de automóvel e vier do lado do Funchal, tome a direcção do aeroporto pela ER101. Continue por Machico e tenha atenção após passar por esta localidade e saia pela direita que indica 'Santana'. Irá passar por alguns túneis e rotundas. Continue na 'Via Expresso' em direcção ao Porto da Cruz. Se sair de casa bem cedo até pode fazer uma pequena paragem nesta vila. Passe pelo Faial e continue até chegar à rotunda de Santana. Aqui deverá ver um posto de abastecimento da BP e um supermercado Sá.

Tome a saída que indica o centro de Santana. Logo após sair da rotunda tome a segunda entrada à sua direita onde há uma placa amarela que indica as 'Queimadas'. Comece a subir e siga sempre as indicações dadas pelas placas. Suba sempre até entrar numa zona de floresta de pinheiros e eucaliptos. Muito perto do final a vegetação muda drasticamente e a largura da estrada fica reduzida ao espaço de um carro. Continue até ao fim da estrada até encontrar um parque de estacionamento. Chegou às Queimadas. É aqui onde começa o percurso da Levada do Caldeirão Verde (e onde acaba um pequeno percurso que vem do Pico das Pedras.


O que levar:

É importante levar uma boa lanterna já que irá passar por túneis sem iluminação, calçado confortável e de preferência impermeável, e roupa leve mas quente. Dependendo da época do ano, uma gabardina ou um pequeno guarda-chuva são obrigatórios pois poderá ter de passar por debaixo de pequenas quedas de água. Não se esqueça de levar um pequeno farnel e água, do seu telefone e da máquina fotográfica.


Considerações finais:

Se pretende seguir até ao fim e ir até ao Caldeirão do Inferno numa altura do ano em que os dias têm menos luz, saia de casa bem cedo e tente chegar antes das 10:00 da manhã. Já me aconteceu na volta chegar às Queimadas e estar totalmente escuro. Gostei muito do efeito da luz da lanterna na névoa e no escuro mas poderá não ser o seu caso. Chegará ao fim cansado. Isso é certo.


Porquê ★★★★★ ?

Porque isto é uma maravilha. Faça este percurso e descubra por si.



Texto, fotografias e grafismo: Victor Sousa.

As informações contidas neste artigo não são vinculativas e servem apenas como referência informal, não podendo serem apontadas como objecto de responsabilização. Toda a informação não pode ser reproduzida sem autorização do autor. Actualização a 16 de Julho de 2011.



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